Hoje trazemos um panorama direto sobre a evolução da moda sustentável no país. Segundo o Instituto Locomotiva, nove em cada dez brasileiros dão valor a peças produzidas de forma responsável.
O interesse por brechós cresceu muito: buscas por “brechó perto de mim” subiram 175% entre set/2022 e set/2023, segundo dados do Semrush. Isso mostra mudança no comportamento de consumo e abertura para novos modelos.
Desde os anos 1960 e com o choque do Rana Plaza, houve maior atenção ao impacto social e ambiental da cadeia produtiva. Por isso, marcas que investem em transparência ganham vantagem competitiva.
Nesta seção, vamos sintetizar dados atuais e opções práticas. Queremos guiar consumidores e empresas a reduzir impacto, aumentar valor percebido e manter qualidade sem perder estilo.
Introdução: por que a moda sustentável ganhou força no Brasil agora
A adesão por práticas de produção responsável acelerou muito entre consumidores brasileiros neste período. Nove em cada dez brasileiros valorizam produtos com menor impacto, e buscas por “brechó perto de mim” subiram 175% entre set/2022 e set/2023.
O Sebrae destaca que ações de sustentabilidade dão vantagem competitiva. Isso vale especialmente para pequenas indústrias, ateliês e cooperativas que conseguem comunicar processos e reduzir custos.
- Observamos que consumidores estão cada vez mais atentos ao impacto socioambiental e pressionam marcas por transparência.
- O setor reconhece que sustentabilidade gera diferenciação, eficiência e redução de riscos, além de abrir nichos em expansão.
- O crescimento de peças seminovas mostra migração do “novo a qualquer custo” para o durável e responsável.
- Uma economia desafiada favorece soluções que unem economia no bolso e menor impacto no meio ambiente.
Essa combinação de demanda, mercado e consciência transforma intenção em ação. Por isso, vemos oportunidades reais para empresas e consumidores alinharem propósito e resultado.
Panorama do mercado brasileiro em 2024
Em 2024, o mercado confirma que o consumo consciente deixou de ser apenas discurso. Vemos consumidores mais críticos, que pedem clareza sobre origem e impacto das peças.
Consumidores conscientes: nove em cada dez valorizam produtos sustentáveis
Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 9 em cada 10 brasileiros dão valor a compras responsáveis. Isso muda prioridades de compra e pressão por transparência.
Explosão da busca por brechós e peças seminovas
O Semrush registra alta de 175% em buscas por “brechó perto de mim”. A preferência por peças seminovas legitima modelos circulares no mercado mainstream.
Vantagens competitivas e crescimento do nicho
- Consumidores valorizam durabilidade, reparo e informação clara.
- Marcas que relatam desempenho socioambiental ganham fidelidade e acesso a novos canais.
- Pequenos ateliês reduzem desperdício e exploram nichos regionais com autenticidade.
- O setor passa a ver sustentabilidade como requisito para competir e fortalecer a economia local.
O que entendemos por moda sustentável hoje
Entendemos que a produção têxtil deve considerar impactos sociais e ambientais ao longo de toda a vida útil das peças. Nosso foco é reduzir desperdício, prolongar a vida e garantir práticas justas.
Impactos ao longo do ciclo de vida
Avaliar o impacto desde a matéria‑prima até o descarte é essencial. Isso inclui consumo de água, emissões, resíduos e condições de trabalho.
Princípios que seguimos
Adotamos movimentos como slow fashion, eco‑friendly e opções veganas como guias práticos. Priorizamos durabilidade, atemporalidade e reparo.
- Definição: sistema que minimiza impactos em toda a vida das peças.
- Processos: eficiência em água, energia e menos químicos.
- Práticas: trabalho digno, transparência e rastreabilidade.
- Materiais: fibras recicladas ou orgânicas bem rastreadas.
- Comunicação: clareza sobre processos aproxima consumidor e marca.
Ao alinhar esses pontos, fortalecemos a confiança e ampliamos a real sustentabilidade das roupas que produzimos e consumimos.
moda sustentável: tendências e como adotar no Brasil
As práticas circulares passaram de experimentos a estratégias centrais para marcas que querem reduzir impacto e ganhar mercado.
Nós priorizamos upcycling para transformar excedentes em produtos desejáveis. Isso reduz resíduos e cria valor único.
Moda circular e upcycling como motores de inovação
Implementamos design para desmontagem, facilitando reciclagem e reaproveitamento de componentes.
Tecidos sustentáveis em ascensão
Aceleramos a transição para algodão orgânico, linho, lyocell e poliéster reciclado. Exigimos transparência na origem e nos processos.
Peças seminovas, inclusão e parcerias
- Ampliação de canais de revenda, buy-back e consignação para valorizar peças seminovas.
- Inclusão com grades amplas, ajustes sob demanda e comunicação representativa.
- Parcerias com ONGs para coleta, projetos locais e metas públicas sobre água e energia.
Também vamos orientar consumidores com guias de cuidado e metas públicas. Assim fortalecemos confiança e fomentamos inovação responsável.
Materiais e tecidos de menor impacto para o contexto brasileiro
Selecionamos materiais que funcionam bem no clima brasileiro e geram menos impacto ambiental. Nossa escolha combina disponibilidade local, logística viável e desempenho ao longo da vida útil dos produtos.
Algodão orgânico, linho e cânhamo
Priorizamos fibras naturais como algodão orgânico, linho e cânhamo cultivados sem pesticidas. Essas opções reduzem insumos e favorecem produtores locais.
Tencel/Lyocell e Modal
Indicamos Tencel/Lyocell e Modal por provirem de manejo florestal responsável. Eles oferecem conforto térmico e menor uso de químicos no processamento.
Poliéster e nylon reciclados
Integramos poliéster reciclado e nylon feito de redes de pesca para peças técnicas. Esses sintéticos reduzem demanda por recursos virgens e aproveitam resíduos urbanos e marítimos.
Critérios de escolha
- Biodegradabilidade, toxicidade e durabilidade como prioridades.
- Transparência dos fornecedores sobre origem, químicos e efluentes.
- Preferência por mono‑matéria ou gramaturas que estendam a vida útil.
- Informação clara aos consumidores sobre cuidados para prolongar uso.
Processos e produção responsáveis
Nossa produção hoje foca em eficiência: menos água, menos energia e controle químico em cada lote. Buscamos métricas claras para reduzir consumo e tratar efluentes.

Uso eficiente de água e energia
A cadeia têxtil usa muita água — a Ellen MacArthur Foundation estima 93 bilhões de m³ por ano. Por isso redesenhamos processos e monitoramos indicadores por lote.
- Redução do consumo: tingimentos de baixo impacto e tecnologia de recirculação.
- Gestão operacional: manutenção preventiva de máquinas e treinamento da equipe.
- Parcerias: com beneficiadoras que tratam efluentes e usam químicos certificados.
- Transparência: relatórios que mostram ganhos de eficiência por etapa de produção.
Design para durabilidade
Priorizamos qualidade e atemporalidade para que as peças vivam mais tempo. Isso reduz desperdício e melhora o custo por uso para o consumidor.
- Modelagens versáteis e acabamentos resilientes.
- Aviamentos e costuras pensados para maior número de lavagens.
- Serviços pós-venda: reparo, customização e comunicação sobre cuidados.
Práticas claras ajudam marcas e clientes a entender por que investir em produção responsável vale a pena. Para ampliar conhecimento, consulte artigos sobre processos responsáveis.
Economia circular, upcycling e gestão de resíduos
Transformar rejeitos em novos produtos é uma prática que cresce entre marcas e cooperativas. No Brasil, mais de 4 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartadas por ano (Abrelpe), o que exige ações concretas.
No nosso trabalho, estruturamos programas de upcycling que convertem retalhos e couro em novas peças. Isso reduz desperdício e cria valor de design.
Reaproveitamento de rejeitos têxteis e couro
Triagem e design: selecionamos materiais e transformamos sobras em coleções cápsula com designers parceiros.
Modelos circulares: aluguel, revenda e take-back
- Implementamos aluguel para ocasiões, ampliando acesso a peças de qualidade com menor produção.
- Criamos canais de revenda e take-back com higienização e triagem para reinserir produtos no mercado.
- Organizamos logística reversa até cooperativas, garantindo destinação técnica dos resíduos.
Ecojoias, biojoias e ecobags
Exploramos nichos como ecojoias, biojoias e ecobags feitos com materiais naturais e reciclados. Esses produtos geram baixo desperdício e abrem oportunidades locais.
Publicamos metas de desvio de aterro e relatamos avanços anuais. Também educamos clientes para participar de trocas, revenda e manutenção, prolongando a vida útil das peças.
Trabalho digno e transparência na cadeia
Nossa prioridade é assegurar que cada etapa da produção respeite direitos e segurança dos trabalhadores. O desabamento do Rana Plaza e dados como o Global Slavery Index mostram riscos reais que exigem ação imediata do setor.
Condições, remuneração justa e combate à exploração
Estabelecemos padrões mínimos de condições de trabalho e auditorias periódicas. Garantimos segurança, saúde e remuneração justa em toda a cadeia.
- Contratos formais e prazos realistas para evitar jornadas abusivas.
- Canais de denúncia com resposta rápida e mecanismos de remediação.
- Cláusulas de ética e direitos humanos em todos os contratos.
Rastreabilidade, comunicação e responsabilidade das marcas
Reforçamos a rastreabilidade dos fornecedores, mapeando oficinas e facções e divulgando listas públicas sempre que possível.
- Alinhamos políticas de compras para evitar o “preço a qualquer custo”.
- Comunicamos indicadores sociais, metas e progresso com transparência.
- Engajamos o setor em iniciativas coletivas para elevar padrões de compliance.
Ao combinar práticas claras e responsabilidade ativa, fortalecemos confiança entre marcas, consumidores e toda a indústria.
Água, energia e química: mitigar impactos na indústria
A gestão de água, energia e insumos químicos define hoje o perfil de responsabilidade das marcas. A cadeia têxtil consome 93 bilhões de m³ de água por ano, por isso devemos medir e reduzir cada etapa.

Avaliação do uso hídrico na cadeia têxtil e metas de redução
Medimos o consumo por processo e definimos metas de redução. Priorizamos reuso, recirculação e captação de chuva para cortar o uso sem perder eficiência.
Alternativas a químicos agressivos e tratamento de efluentes
Substituímos fórmulas por opções certificadas e padronizamos receitas de menor toxicidade. Garantimos tratamento de efluentes com monitoramento de DQO, DBO e metais antes do descarte para reduzir impacto em rios.
- Medição por etapa: métricas claras de água e energia por processo.
- Auditorias: fornecedores críticos revisados e práticas compartilhadas.
- Tecnologia: acabamentos a seco e ozônio que cortam consumo e impacto.
- Transparência: indicadores públicos que mostram progresso e desafio.
- P&D: desenvolvemos processos com menor uso de insumos e cores de baixo impacto.
Com essas ações, fortalecemos nossa responsabilidade e reduzimos o impacto da indústria moda de forma concreta e mensurável.
Como nós, consumidores, podemos adotar agora
Pequenas mudanças no nosso dia a dia geram grande impacto na forma que consumimos roupas. Vamos a passos simples: comprar menos, escolher melhor e cuidar das peças que já temos.
Práticas de consumo consciente: comprar menos, melhor e cuidar mais
Compramos com propósito: menos itens, tecidos melhores e acabamento superior. Isso reduz desperdício e melhora o custo por uso.
Lemos etiquetas e seguimos instruções de cuidado para preservar roupas por mais tempo.
Escolha de marcas com transparência e certificações
Avaliamos marcas pela clareza sobre materiais, processos e metas socioambientais. Priorizar empresas que mostram evidências aumenta a confiança nas compras.
Dar nova vida às peças: reparo, customização e upcycling doméstico
Estendemos a vida das peças com conserto, ajustes e transformações simples. Reparo local fortalece a economia de bairro e evita descarte precoce.
Priorizar brechós, trocas e plataformas de revenda
- Damos preferência a brechós e revenda — buscas por brechó subiram 175% em 12 meses.
- Trocamos entre amigos e usamos plataformas confiáveis para circular nosso guarda‑roupa.
- Preferimos produtos atemporais, fáceis de combinar e com boa qualidade.
Se cada um de nós incorporar essas práticas, consumidores influenciam marcas e aceleram uma mudança real na moda.
Oportunidades para marcas brasileiras
Vemos oportunidades claras para marcas que unem saberes tradicionais e processos modernos. O Sebrae destaca que ateliês, cooperativas e oficinas em comunidades fortalecem a economia local e a identidade cultural.
Economia solidária, artesanato e saberes tradicionais
Valorizamos parcerias com cooperativas e artesãos. Isso agrega história, gera renda local e melhora a qualidade do produto.
Inovação de produto: design funcional e materiais alternativos
Investimos em inovação com design funcional e uso de rejeitos, PET reciclado e fibras como bambu. Essas escolhas reduzem perdas e custos na produção.
Escala com responsabilidade: competitividade e diferenciação
Escalar exige transparência e metas claras. Empresas que ajustam produção à demanda ganham eficiência e fidelidade.
- Parcerias com cooperativas unem impacto social e valor de marca.
- Coleções cápsula resgatam técnicas manuais e aumentam valor percebido.
- Modelos de receita (revenda, reparo, aluguel) aumentam recorrência.
- Alianças no setor permitem compras conjuntas e troca de boas práticas.
Conclusão
Encerramos lembrando que criatividade e responsabilidade caminham juntas rumo a um novo mercado, e que a moda sustentável tem lugar neste futuro.
Cada decisão de compra e cada melhoria de processo somam para reduzir impacto e gerar benefícios sociais palpáveis.
Estamos cada vez mais preparados para unir estética, qualidade e responsabilidade em produtos desejáveis e acessíveis. O mundo da moda evolui rápido; quem lidera transparência e circularidade ganha relevância.
Convidamos marcas e consumidores a planejar, medir, comunicar e melhorar continuamente. Mantemos foco em materiais melhores, processos limpos, trabalho digno e modelos circulares.
Seguiremos compartilhando dados, metas e resultados para inspirar parcerias. Com colaboração e consistência transformamos tendências em padrão e criamos um mercado mais justo e resiliente para o futuro.